Sistema Eletrônico de Administração de Conferências, VII CONNEPI - Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação

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FILHÓS COM MEL: PATRIMÔNIO DOS CAICOENSES
Sarah Ariane Silva, Maria Isabel Dantas

Última alteração: 2012-09-03

Resumo


O ato de comer está intrinsicamente relacionado à dimensão sociocultural e ao sentimento de pertencimento e/ou de identidade de sujeitos e de grupos sociais a uma determinada cultura e territorialidade. No sentido de pensar essa relação, o objeto de estudo aqui foi a importância do filhós – doce frito, feito com farinha de trigo (ou batata doce ou macaxeira ou fécula de milho) e outros ingredientes, e comido com mel de rapadura ou de açúcar – para comensais do município de Caicó, na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, como um bem patrimonial significativo para essa população. Diante da escassez de estudos científicos sobre a temática da relação entre o ato de comer doces (comensalidade) e cultura nessa região, nossa questão central foi compreender as motivações dos caicoenses em comerem filhós durante o carnaval e em outros momentos festivos. Para resolução de nossa problemática, utilizamos dados etnográficos[1] colhidos nesse município, no ensejo da realização da Festa de Sant’Ana, em 2011, e em outras ocasiões. Durante a pesquisa etnográfica, realizamos observação participante e entrevistas semiabertas com doceiras, comerciantes e comensais sobre os processos de feitura, de comercialização e de consumo (comensalidade) do filhós. A análise dos dados empíricos foi possibilitada pelos conceitos de cultura alimentar e comida em Contreras e Gracia (2005), de patrimônio cultural em Silva (2009), de comensalidade em Fischler e Masson (2010) e de identidade em Bauman (2005).

[1] Esses dados fazem parte do projeto de pesquisa “Doçaria seridoense: um patrimônio cultural alimentar”, que visa registrar e inventariar os saberes e fazeres associados ao processo de produção, de comercialização e consumo dos doces tradicionais do Seridó potiguar. O projeto vem sendo desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Cultura, Arte e Sociedade (IFRN) desde 2010.


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